Saúde

Anvisa libera primeiro remédio que retarda o avanço do Alzheimer no Brasil

🗓️ 09/01/2026 – 20h00 | 🔄 Atualizado às 20h30 | ⏱️ 4 min de leitura

Medicamento aprovado é indicado para fases iniciais da doença e atua diretamente na redução de placas no cérebro

Frasco de medicamento usado no tratamento do Alzheimer aprovado pela Anvisa
Leqembi é o primeiro medicamento aprovado no Brasil capaz de retardar a progressão do Alzheimer em estágios iniciais

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro medicamento capaz de desacelerar a progressão do Alzheimer no Brasil. A liberação do Leqembi ocorreu no dia 22 de dezembro de 2025 e marca um avanço importante no tratamento da doença, que afeta mais de um milhão de brasileiros, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Até então, os tratamentos disponíveis no país eram voltados principalmente para o alívio dos sintomas, como perda de memória e dificuldades cognitivas. O novo medicamento inaugura uma abordagem diferente, ao agir diretamente em um dos processos associados ao desenvolvimento do Alzheimer.

Um marco no tratamento do Alzheimer

O Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e se caracteriza pela degeneração progressiva das funções do cérebro. A doença compromete a memória, o raciocínio, a linguagem e, com o tempo, a autonomia do paciente.

A aprovação do Leqembi representa um marco porque, pela primeira vez, um medicamento autorizado no Brasil não se limita apenas a controlar sintomas, mas busca interferir na evolução da doença. Especialistas consideram a decisão um passo relevante no cuidado de pacientes diagnosticados precocemente.

Para quem o medicamento é indicado

O Leqembi é indicado exclusivamente para pacientes com demência leve ou em estágio inicial de Alzheimer. Isso significa que o tratamento não é recomendado para fases avançadas da doença.

A identificação precoce é fundamental para que o medicamento possa trazer benefícios. Por isso, o diagnóstico correto e o acompanhamento médico são etapas essenciais antes do início do tratamento.

Como o Leqembi atua no cérebro

O medicamento é produzido a partir do anticorpo lecanemabe e age na redução das chamadas placas de beta-amiloide. Essas placas são substâncias que se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer e estão associadas ao avanço da degeneração cerebral.

A proposta do tratamento é mobilizar o sistema imunológico do próprio organismo para ajudar a remover esses depósitos. Ao reduzir a presença das placas, o medicamento busca desacelerar o processo que leva à perda das funções cognitivas.

Forma de aplicação do tratamento

O Leqembi é administrado por meio de infusão, ou seja, aplicado diretamente na veia. As infusões são realizadas de forma periódica, conforme protocolo médico, e exigem acompanhamento constante.

Por se tratar de um tratamento contínuo, o paciente precisa ser monitorado ao longo do uso do medicamento, tanto para avaliar os benefícios quanto para observar possíveis efeitos adversos.

Resultados comprovados em estudo internacional

A eficácia do Leqembi foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 na revista científica New England Journal of Medicine, uma das mais respeitadas do mundo na área da saúde.

A pesquisa acompanhou 1.795 voluntários com Alzheimer em estágio inicial. Após 18 meses de tratamento com infusões realizadas a cada duas semanas, os pacientes apresentaram redução no ritmo de declínio cognitivo e funcional, em comparação com aqueles que não receberam o medicamento.

Os resultados indicaram que o tratamento conseguiu retardar a progressão da doença, embora não represente uma cura.

Medicamento já era usado nos Estados Unidos

Antes da aprovação no Brasil, o Leqembi já havia sido autorizado em 2023 pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. Desde então, o medicamento passou a ser comercializado no país norte-americano.

Com a decisão da Anvisa, o tratamento agora também pode ser disponibilizado no Brasil, ampliando as opções terapêuticas para pacientes diagnosticados precocemente com Alzheimer.

Impacto para pacientes e famílias

A aprovação do Leqembi traz novas perspectivas para pacientes e familiares que convivem com o Alzheimer. Embora o medicamento não interrompa completamente a doença, a possibilidade de retardar sua progressão pode significar mais tempo de autonomia e qualidade de vida.

Especialistas ressaltam que o avanço reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado, permitindo que os pacientes tenham acesso a terapias inovadoras no momento mais adequado.

Avanço científico, mas com cautela

Apesar do avanço, médicos destacam que o tratamento deve ser avaliado caso a caso. O uso do medicamento depende de critérios clínicos específicos e da confirmação do estágio inicial da doença.

Além disso, o Leqembi não substitui outros cuidados essenciais, como suporte familiar, acompanhamento multidisciplinar e estratégias para manter a qualidade de vida do paciente.

A aprovação pela Anvisa representa um passo significativo no enfrentamento do Alzheimer no Brasil, abrindo caminho para novas pesquisas e tratamentos voltados à desaceleração da doença.


Redação UltimaBrasil

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