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Justiça apura suspeitas de lavagem de dinheiro no São Paulo e amplia investigação sobre diretoria

🗓️ 15/01/2026 – 21h00 | 🔄 Atualizado às 22h30 | ⏱️ 4 min de leitura

Polícia investiga saques milionários em dinheiro vivo, depósitos na conta do presidente e possível esquema com empresas terceirizadas

Sede do São Paulo Futebol Clube e estádio do Morumbi em destaque durante investigação sobre movimentações financeiras suspeitas.
Investigação sobre finanças do São Paulo avança e envolve diretoria do clube.

A Justiça de São Paulo passou a tratar como prioridade a investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o São Paulo Futebol Clube. O caso ganhou novo rumo após ser encaminhado a uma Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, justamente às vésperas da votação que pode decidir o afastamento do presidente do clube, Júlio Casares.

A mudança ocorreu com o aval do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que recentemente criou uma força-tarefa para aprofundar as apurações. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Saques em dinheiro chamam atenção das autoridades

No centro da investigação está a retirada de R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do São Paulo, por meio de 35 saques feitos diretamente no caixa dos bancos. As operações aconteceram entre 2021 e 2025, período em que Júlio Casares comanda o clube.

De acordo com a Polícia Civil, esse tipo de movimentação dificulta o rastreamento do dinheiro e levanta suspeitas sobre a real destinação dos valores. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que as transações foram consideradas atípicas pelas instituições financeiras responsáveis pelas contas.

A defesa do clube afirma que os valores foram usados para despesas comuns do futebol, que, segundo eles, exigem pagamentos em espécie. Mesmo assim, os investigadores seguem analisando se houve irregularidades na forma como o dinheiro foi movimentado.

Depósitos na conta de Casares entram na apuração

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades é o depósito de R$ 1,5 milhão na conta pessoal de Júlio Casares entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Segundo o Coaf, o valor entrou por meio de 132 operações feitas no caixa, o que também foi considerado fora do padrão.

A movimentação gerou questionamentos porque o montante não corresponde à remuneração mensal do dirigente como presidente do São Paulo, que é de R$ 27,5 mil. Além disso, o cargo é exercido de forma exclusiva, sem outras atividades profissionais paralelas.

A defesa de Casares afirma que o dinheiro tem origem lícita e que tudo será devidamente comprovado. Segundo o advogado Bruno Borragine, os valores são fruto de economias feitas antes de o dirigente assumir a presidência do clube. “Ele trabalhou muitos anos na iniciativa privada e construiu uma reserva financeira. Ao assumir a presidência, com um salário menor, precisou recorrer a esse dinheiro para manter seu padrão de vida”, explicou.

Empresas terceirizadas também são investigadas

A apuração se estendeu a empresas que prestam serviços ao São Paulo. Uma delas é a Off Side, responsável pela logística de jogos de times da Série A. A empresa é citada como possível intermediária no inquérito da Polícia Civil.

Além disso, diretores do clube, como Carlos Belmonte e Rui Costa, também aparecem na investigação. Ambos negam qualquer tipo de irregularidade e afirmam estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Os investigadores tentam entender se houve uso de empresas e pessoas para movimentar recursos de forma a esconder a origem do dinheiro.

Esquema de camarote em shows entra no radar

Paralelamente, a Polícia Civil analisa um possível esquema clandestino de comercialização de camarotes no estádio do MorumBis durante noites de shows. Gravações apontaram a participação de dirigentes do clube nesse processo.

Diante da repercussão, Mara Casares e Douglas Schwartzmann, que ocupavam cargos na diretoria, se afastaram das funções. O Ministério Público pediu a abertura de um inquérito específico para investigar o caso, enquanto o São Paulo instaurou sindicâncias internas e externas para apurar responsabilidades.

A direção do clube afirma que está colaborando com as autoridades e que pretende esclarecer todos os fatos.

Votação pode decidir futuro do presidente

Em meio às investigações, o Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne nesta sexta-feira (16) para votar o impeachment de Júlio Casares. A votação será feita de forma híbrida, permitindo participação presencial e virtual.

O clube tentou na Justiça que a decisão fosse tomada apenas de maneira presencial, mas teve o pedido negado. Caso a destituição seja aprovada, Casares será afastado de forma provisória até que a Assembleia Geral dê a palavra final, podendo confirmar ou rejeitar a decisão.

O clima nos bastidores é de tensão, já que a votação acontece em meio a um dos momentos mais delicados da história recente do clube.

Impacto institucional e preocupação entre torcedores

As investigações causaram forte impacto na imagem do São Paulo, uma das instituições esportivas mais tradicionais do país. Torcedores e conselheiros acompanham o caso com preocupação, temendo que as denúncias prejudiquem ainda mais a situação financeira e administrativa do clube.

Especialistas em gestão esportiva avaliam que a transparência no processo será fundamental para recuperar a confiança do público e dos patrocinadores. A expectativa é de que as próximas semanas tragam avanços tanto na esfera judicial quanto na política interna do clube.

Enquanto isso, a Polícia Civil e o Ministério Público seguem reunindo documentos, ouvindo envolvidos e analisando movimentações financeiras para esclarecer se houve, de fato, crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Redação UltimaBrasil

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