Dinamarca e Groenlândia pedem reunião com EUA após declarações de Trump sobre compra do território
🗓️ 07/01/2026 – 18h00 | 🔄 Atualizado às 18h30 | ⏱️ 4 min de leitura
Governos reforçam soberania do território e solicitam diálogo diplomático com secretário Marco Rubio
Pedido de reunião com Marco Rubio

Os governos da Dinamarca e da Groenlândia solicitaram nesta terça-feira (6) uma reunião com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O objetivo é discutir as recentes declarações do presidente Donald Trump e de outros membros do governo americano sobre a possibilidade de os EUA adquirirem a Groenlândia por motivos de segurança nacional.
O pedido foi divulgado pela conselheira da Groenlândia para Assuntos Exteriores, Vivian Motzfeldt, em uma publicação no Facebook. Ela afirmou que a reunião acontecerá “em breve” e que também contará com a participação do ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen.
“O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, não conseguiu se reunir antes com o governo da Groenlândia, apesar de tanto este quanto o governo dinamarquês terem solicitado várias vezes uma reunião em nível de ministros das Relações Exteriores”, disse Motzfeldt.
Declarações de Trump sobre a Groenlândia
Nos últimos dias, Trump reafirmou seu interesse estratégico na Groenlândia, mencionando que os Estados Unidos “precisam” do território e que podem avaliar opções para que ele fique sob controle americano. As declarações ocorrem após a intervenção militar dos EUA na Venezuela, aumentando a atenção internacional sobre o tema.
Reações de líderes europeus
Nesta terça-feira, líderes de Espanha, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Polônia e Dinamarca divulgaram uma declaração conjunta. O texto reforça que a Groenlândia “pertence ao seu povo” e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre questões que afetam ambos.
Além disso, os ministros das Relações Exteriores dos cinco países nórdicos emitiram um comunicado defendendo a soberania do território e a inviolabilidade de suas fronteiras.
Posicionamento de autoridades locais
O presidente regional da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, agradeceu o apoio europeu e pediu aos EUA que mantenham um diálogo respeitoso, utilizando canais diplomáticos corretos e fóruns baseados em acordos já existentes.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, também comentou sobre a situação. Ela afirmou que leva a sério as intenções de Trump, mas demonstrou confiança “na democracia e na ordem internacional baseada em normas”.
Frederiksen destacou ainda que qualquer ataque de um país da OTAN contra outro membro da aliança teria consequências graves. “Se um país da OTAN atacar outro país da OTAN, tudo acabará, incluindo a nossa OTAN e, consequentemente, a segurança que ela tem proporcionado desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, afirmou.
Diálogo diplomático como prioridade
A reunião solicitada com Marco Rubio marca um esforço dos governos da Dinamarca e da Groenlândia para tratar do assunto de forma diplomática e transparente. A intenção é evitar tensões internacionais e garantir que todas as decisões sobre a Groenlândia respeitem sua soberania e os acordos existentes com os Estados Unidos.
A questão da Groenlândia vem ganhando destaque internacional por seu valor estratégico, principalmente em termos de segurança e recursos naturais, tornando qualquer proposta de aquisição por outro país um tema sensível.
Redação UltimaBrasil
