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Brasil classifica captura de Nicolás Maduro como “sequestro” e rejeita intervenção na Venezuela

🗓️ 06/01/2026 – 15h00 | 🔄 Atualizado às 15h30 | ⏱️ 5 min de leitura

Em reunião da OEA, diplomacia brasileira afirma que ação viola soberania venezuelana e cria precedente perigoso para a América Latina

Brasil condena captura de Nicolás Maduro em reunião da OEA
Embaixador Benoni Belli discursa durante reunião de emergência da OEA sobre a situação na Venezuela.

O governo brasileiro classificou como “sequestro” a captura de Nicolás Maduro e condenou qualquer tipo de intervenção externa na Venezuela. A posição foi apresentada nesta terça-feira (6) pelo embaixador Benoni Belli, representante do Brasil, durante reunião de emergência do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em Washington, nos Estados Unidos.

Segundo o diplomata, a ação envolvendo bombardeios em território venezuelano e a retirada forçada de Maduro ultrapassa limites considerados inaceitáveis no direito internacional. Para o Brasil, o episódio representa uma grave afronta à soberania da Venezuela e abre um precedente perigoso para a comunidade internacional.


Declaração brasileira na OEA

Durante o encontro, Benoni Belli afirmou que os acontecimentos recentes violam princípios básicos que regem as relações entre os países. Ele destacou que o uso da força e a captura de um chefe de Estado ferem normas internacionais e ameaçam a estabilidade regional.

“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”, declarou o embaixador.

A fala do representante brasileiro ocorreu diante dos demais membros da OEA, que se reuniram para discutir os desdobramentos da operação realizada no fim de semana.


Críticas ao uso da força e à interferência externa

O diplomata brasileiro também criticou o que classificou como interferência direta na política interna de países da América Latina e do Caribe. Segundo ele, a situação atual remete a períodos marcados por intervenções estrangeiras e instabilidade política na região.

“A ação que acaba de acontecer não só viola a proibição do uso da força como lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, afirmou Belli. Para ele, o episódio “evoca tempos que considerávamos ultrapassados”, mas que voltam a assolar a região.

O Brasil deixou claro que não aceita justificativas baseadas na ideia de que determinados objetivos poderiam legitimar ações ilegais ou unilaterais.


Defesa do direito internacional e da soberania

Em outro trecho de sua intervenção, Benoni Belli reforçou que o Brasil rejeita qualquer interpretação que relativize princípios fundamentais do direito internacional. Ele alertou para os riscos de permitir que países mais poderosos determinem, de forma unilateral, o que é justo ou aceitável no cenário global.

“Não podemos aceitar o julgamento de que os fins justificam os meios. Esse raciocínio carece de legitimidade e abre possibilidade de conferir aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado”, disse o embaixador.

Segundo o representante brasileiro, a soberania dos Estados e o respeito às instituições multilaterais são pilares essenciais para garantir a autodeterminação dos povos.


Reunião de emergência da OEA

A reunião do Conselho Permanente da OEA foi convocada de forma emergencial para analisar os acontecimentos recentes na Venezuela. A organização afirma ter como missão a promoção do diálogo, da democracia e da estabilidade no continente americano.

O encontro ocorreu após a divulgação de que, no sábado (3), forças armadas dos Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro em território venezuelano. Ele foi levado para Nova York, onde passou a responder a um processo por acusações de narcotráfico, segundo informações apresentadas durante a reunião.

No comunicado, Maduro foi citado como ex-presidente da Venezuela, conforme classificação adotada pelas autoridades norte-americanas.


Contexto regional e preocupação do Brasil

Para o governo brasileiro, o episódio representa mais do que uma crise bilateral. A diplomacia avalia que a ação pode afetar todo o equilíbrio político da América Latina e do Caribe, ao normalizar práticas que violam a soberania dos países.

Benoni Belli ressaltou que a estabilidade regional depende do respeito às regras internacionais e da solução pacífica de conflitos. Ele defendeu que divergências políticas devem ser tratadas por meio do diálogo e dos mecanismos multilaterais existentes.

O Brasil reafirmou, na reunião, sua posição histórica de defesa da não intervenção, do respeito às fronteiras e da autodeterminação dos povos.


Repercussão internacional

A captura de Nicolás Maduro e sua transferência para os Estados Unidos geraram reações de diversos países e ampliaram o debate sobre os limites da atuação internacional em conflitos políticos internos.

Na avaliação brasileira, a resposta da comunidade internacional deve priorizar o fortalecimento das instituições multilaterais e evitar ações que possam agravar tensões ou gerar instabilidade prolongada na região.

O tema segue em discussão no âmbito da OEA, enquanto países membros avaliam os próximos passos diante do novo cenário político na Venezuela.


Redação UltimaBrasil

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