Banco Central concorda com inspeção do TCU no caso Banco Master
🗓️ 12/01/2026 – 21h00 | 🔄 Atualizado às 23h30 | ⏱️5 min de leitura
Decisão foi confirmada após reunião entre dirigentes das duas instituições para esclarecer competências na apuração

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, afirmou nesta segunda-feira (12) que o Banco Central concordou com a realização de uma inspeção no processo que envolve a liquidação do Banco Master. A decisão foi tomada após uma reunião na sede da autoridade monetária, que reuniu Vital do Rêgo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus.
Segundo o presidente do tribunal, o encontro teve como principal objetivo esclarecer dúvidas sobre a competência do TCU para atuar no caso e alinhar a atuação entre os dois órgãos. A apuração busca avaliar se houve precipitação por parte do Banco Central ao decretar a liquidação da instituição financeira, em novembro.
Entendimento entre BC e TCU marca novo momento
Durante entrevista coletiva, Vital do Rêgo destacou que o Banco Central demonstrou interesse em contar com o respaldo do TCU no processo. Para ele, a inspeção representa uma forma de garantir mais segurança jurídica à condução do caso.
“O Banco Central quer o selo de qualidade do TCU. Quer a segurança jurídica que o tribunal pode oferecer, porque esse não é apenas um processo administrativo. É também um processo com implicações criminais”, afirmou o presidente da Corte de Contas.
Vital do Rêgo disse ainda que saiu satisfeito com o resultado da reunião e ressaltou que os diretores do Banco Central demonstraram, de forma unânime, respeito e valorização pelo trabalho desenvolvido pelo TCU.
Reunião buscou esclarecer competências no caso
De acordo com o presidente do tribunal, um dos principais objetivos do encontro foi eliminar qualquer dúvida sobre a atuação do TCU no processo que investiga a liquidação do Banco Master. A discussão sobre a competência do órgão para fiscalizar decisões do Banco Central vinha gerando atritos entre as duas instituições.
Com a reunião, segundo Vital do Rêgo, ficou claro que há espaço para cooperação entre o Banco Central e o TCU, especialmente em casos de grande repercussão e impacto no sistema financeiro.
Encontro ocorre após desgaste entre os órgãos
A reunião entre os dirigentes já constava na agenda oficial e foi marcada na semana passada, em meio a um período de tensão entre o Banco Central e o TCU. O desgaste teve início após a abertura de uma investigação sobre a decisão da autoridade monetária de liquidar o Banco Master.
Em dezembro, o ministro Jhonatan de Jesus autorizou a abertura da apuração com o objetivo de verificar se houve “precipitação” na medida adotada pelo Banco Central no dia 18 de novembro, quando a liquidação da instituição foi decretada.
Desde então, o tema passou a ser acompanhado de perto por técnicos e ministros do TCU, além de gerar debates públicos sobre os limites da atuação de cada órgão.
Pedido de explicações e análise técnica
No andamento do processo, o relator solicitou explicações formais ao Banco Central sobre os motivos e critérios que levaram à liquidação do Banco Master. A partir dessas informações, auditores do TCU realizaram uma análise preliminar.
Segundo essa avaliação inicial, a autarquia teria agido corretamente ao adotar a medida. No entanto, no último sábado, Jhonatan de Jesus divulgou nota esclarecendo que o parecer dos técnicos não representava uma decisão final da Corte de Contas.
O ministro ressaltou que a conclusão dos auditores não se confunde com o posicionamento oficial do tribunal, deixando claro que a investigação ainda estava em curso.
Pedido de inspeção partiu dos próprios auditores
De acordo com o relator, foram os próprios auditores do TCU que solicitaram a realização de uma inspeção presencial no Banco Central. O objetivo era ter acesso a documentos considerados sigilosos e essenciais para uma análise mais completa do caso.
Inicialmente, Jhonatan de Jesus autorizou a inspeção na segunda-feira, dia 5. No entanto, poucos dias depois, na quinta-feira (8), ele voltou atrás na decisão após acolher um recurso apresentado pelo Banco Central.
Com isso, o ministro decidiu que a autorização definitiva para a inspeção deverá ser submetida ao plenário do TCU, onde todos os ministros poderão se manifestar sobre o tema.
Participação de diretores do Banco Central
Além do presidente Gabriel Galípolo, a reunião contou com a presença de outros dirigentes importantes do Banco Central. Estiveram no encontro:
- Ailton Aquino, diretor de Fiscalização, que recomendou a liquidação do Banco Master;
- Gilneu Vivan, diretor de Regulação e Organização do Sistema Financeiro e Resolução;
- Izabela Correa, diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta.
A participação de diferentes áreas do Banco Central reforça a importância atribuída ao caso e demonstra o interesse da instituição em manter diálogo aberto com o TCU.
Caso Master segue sob análise
A liquidação do Banco Master é acompanhada de perto por autoridades e especialistas do setor financeiro. O processo levanta debates sobre os critérios utilizados pelo Banco Central para intervir em instituições financeiras e sobre o papel do TCU na fiscalização dessas decisões.
Para o tribunal, a inspeção é uma ferramenta essencial para garantir que todos os procedimentos tenham sido adotados dentro da legalidade e da transparência. Já para o Banco Central, o alinhamento com o TCU ajuda a fortalecer a confiança nas ações da autoridade monetária.
Com a sinalização de concordância do Banco Central para a inspeção, o caso entra em uma nova fase, marcada por maior cooperação institucional.
Expectativa sobre decisão do plenário
Agora, a expectativa se volta para a análise do plenário do TCU, que deverá decidir se autoriza formalmente a inspeção presencial no Banco Central. A decisão será fundamental para definir os próximos passos da investigação.
Caso a inspeção seja aprovada, auditores terão acesso direto a documentos e informações consideradas estratégicas para a apuração. Se for negada, o processo seguirá com base nos dados já apresentados pela autoridade monetária.
Independentemente do desfecho, a discussão em torno do caso Master reforça a importância do controle externo e da transparência na gestão do sistema financeiro nacional.
Redação UltimaBrasil
