Protestos no Irã passam de 600 mortos e ampliam pressão contra o regime
🗓️ 12/01/2026 – 21h00 | 🔄 Atualizado às 22h30 | ⏱️ 4 min de leitura
Manifestações começaram por causa da crise econômica e se transformaram em um movimento nacional contra o governo

O número de mortos nas manifestações contra o governo do Irã já ultrapassa 600 pessoas. De acordo com a atualização mais recente divulgada por uma organização não governamental (ONG) nesta segunda-feira (12), pelo menos 648 pessoas perderam a vida desde o início dos protestos, em 28 de dezembro. Entre as vítimas estão nove menores de idade, além de milhares de feridos em diferentes regiões do país.
Os atos começaram há cerca de duas semanas como uma reação ao aumento do custo de vida, mas, com o passar dos dias, ganharam força e passaram a ter um caráter político mais amplo. Hoje, o movimento é visto como uma mobilização direta contra o regime teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
De protestos econômicos a movimento contra o regime
No início, a principal queixa da população era a situação econômica. A inflação elevada, o desemprego e a desvalorização da moeda local tornaram o dia a dia mais difícil para milhões de iranianos.
Com o avanço das manifestações, porém, as críticas passaram a se concentrar também na estrutura política do país. O alvo deixou de ser apenas a crise financeira e passou a incluir o sistema de governo, comandado por líderes religiosos há mais de quatro décadas.
Esse crescimento do movimento fez com que as autoridades adotassem uma postura mais rígida, o que resultou em confrontos violentos entre forças de segurança e manifestantes em várias cidades.
Organizações denunciam repressão e mortes
Entidades de direitos humanos vêm alertando para o que classificam como uma repressão severa aos protestos. Segundo essas organizações, a resposta do governo tem sido marcada pelo uso excessivo da força, o que explica o elevado número de vítimas.
Além das mortes, há registros de milhares de feridos e de detenções em massa. Familiares de manifestantes relatam dificuldades para obter informações sobre pessoas presas durante os atos.
As denúncias também apontam para a falta de transparência por parte das autoridades na divulgação de dados oficiais sobre mortos e feridos, o que aumenta a preocupação da comunidade internacional.
Corte de internet tenta esconder violência, dizem ONGs
Desde o dia 8 de janeiro, o governo iraniano impôs restrições severas ao acesso à internet. Para organizações de defesa dos direitos humanos, a medida tem como objetivo principal dificultar a circulação de informações e esconder a real dimensão da violência.
Mesmo com o bloqueio, vídeos e imagens continuam chegando ao exterior por meio de redes alternativas. O material mostra grandes manifestações em Teerã e em outras cidades do país, além de cenas de confronto com forças de segurança.
As imagens reforçam os relatos de que a repressão segue intensa, especialmente durante a noite, quando os protestos costumam ganhar mais força.
Governo convoca atos em apoio ao regime
Diante do crescimento das manifestações contrárias ao governo, as autoridades iranianas convocaram, nesta segunda-feira, mobilizações em defesa da República Islâmica. Em Teerã, milhares de pessoas se reuniram na praça Enghelab, que significa “Revolução”, no centro da capital.
Os participantes carregavam bandeiras do Irã e cartazes em apoio ao regime, em uma tentativa de demonstrar força política diante da pressão interna e externa.
Para o governo, essas manifestações servem como resposta direta aos protestos antigovernamentais e como sinal de que parte da população ainda apoia a liderança religiosa do país.
Líder supremo envia recado aos Estados Unidos
Durante uma transmissão da televisão estatal iraniana, o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que as manifestações pró-governo representam uma “advertência” aos Estados Unidos.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Teerã e Washington. Segundo Khamenei, a mobilização popular mostra que o Irã não cederá a pressões externas, mesmo diante de ameaças.
A fala reforça o tom de confronto adotado pelo governo iraniano nas últimas semanas, principalmente após declarações feitas pelo presidente americano, Donald Trump.
Trump fala em negociação, mas não descarta ação militar
O presidente dos Estados Unidos voltou a se posicionar sobre a situação no Irã. Nos últimos dias, Trump fez diversas ameaças de uma possível intervenção militar caso o governo iraniano continue reprimindo os manifestantes.
No domingo, o republicano afirmou que os líderes do Irã estariam dispostos a “negociar” e que uma reunião estava sendo preparada. Apesar disso, ele deixou claro que a opção militar segue em análise.
“Talvez tenhamos que agir antes de uma reunião”, disse Trump, acrescentando que o Exército americano estuda “opções muito fortes”. As declarações aumentaram ainda mais a tensão no cenário internacional.
Comunidade internacional acompanha com preocupação
A escalada da violência no Irã e as declarações de líderes internacionais colocam o país no centro das atenções globais. Governos e entidades de direitos humanos pedem moderação e respeito à vida dos manifestantes.
Ao mesmo tempo, cresce o receio de que a crise interna iraniana se transforme em um problema de maiores proporções, envolvendo potências estrangeiras e ampliando a instabilidade no Oriente Médio.
Enquanto isso, nas ruas do Irã, milhares de pessoas seguem se mobilizando, mesmo diante do risco de repressão. Para muitos manifestantes, a luta já não é apenas por melhores condições econômicas, mas por mudanças profundas no sistema político do país.
Redação UltimaBrasil
